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Síndrome de pica: o transtorno que leva pessoas a comerem o que não é comida — e como aliviar seus efeitos

  • 19 de fev.
  • 2 min de leitura

Você já ouviu falar em pessoas que comem gelo compulsivamente? Ou crianças que ingerem terra, papel ou até sabão? Embora possa soar como excentricidade, esse comportamento tem nome e explicação médica: síndrome de pica, um transtorno alimentar ainda cercado de desinformação.


Reconhecida no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da American Psychiatric Association, a síndrome de pica é caracterizada pela ingestão persistente — por pelo menos um mês — de substâncias que não possuem valor nutricional e não são consideradas alimentos.


O que é a síndrome de pica?

O termo “pica” vem do latim e faz referência à pega (um tipo de ave conhecida por ingerir objetos variados). No contexto médico, o diagnóstico é feito quando a pessoa consome repetidamente itens como:


  • Terra (geofagia)

  • Gelo (pagofagia)

  • Papel

  • Giz

  • Sabão

  • Cabelo (tricofagia)

  • Tinta ou fragmentos de parede


O transtorno é mais comum em crianças pequenas, gestantes e pessoas com deficiência intelectual, mas pode afetar indivíduos de qualquer idade.


Quais são as causas?

As origens da síndrome ainda estão sendo estudadas, mas especialistas apontam alguns fatores associados:


  • Deficiências nutricionais, especialmente de ferro e zinco

  • Gravidez, devido a alterações hormonais e metabólicas

  • Transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista

  • Condições psiquiátricas, incluindo o Transtorno Obsessivo-Compulsivo

  • Fatores culturais, em casos específicos


Curiosamente, a pagofagia (compulsão por gelo) tem forte associação com anemia por deficiência de ferro. Em muitos casos, o comportamento desaparece após a reposição adequada do nutriente.


Quais são os riscos?

Embora possa parecer inofensiva em alguns casos, a síndrome de pica pode trazer consequências sérias:


  • Intoxicação (como no consumo de tinta com chumbo)

  • Obstrução intestinal

  • Infecções

  • Lesões dentárias

  • Desnutrição


Quando o comportamento envolve objetos pontiagudos ou tóxicos, o risco pode ser imediato e grave.


Como aliviar os efeitos?

O tratamento depende da causa subjacente. Entre as principais abordagens estão:


1. Avaliação médica completa

Identificar e tratar possíveis deficiências nutricionais é o primeiro passo.

2. Acompanhamento psicológico

A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a reduzir o impulso de ingerir substâncias inadequadas.

3. Supervisão em crianças

Pais e cuidadores devem observar comportamentos persistentes e buscar orientação pediátrica.

4. Apoio multiprofissional

Em casos associados a transtornos do desenvolvimento, o acompanhamento integrado é fundamental.


Quando procurar ajuda?

Se o comportamento durar mais de um mês, causar prejuízo à saúde ou não for compatível com a fase do desenvolvimento da pessoa (como levar objetos à boca após os 2 anos de idade), é importante buscar avaliação médica.

Embora ainda seja pouco discutida, a síndrome de pica é um transtorno real — e tratável. Informação e acolhimento são passos essenciais para reduzir riscos e garantir qualidade de vida a quem convive com a condição.

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